domingo, 27 de setembro de 2015

Kim Cattrall on not having children


Fantastic interview with Kim Cattrall by Jane Garvey at BBC Woman's Hour special program "Kim Cattrall takeover". The whole thing is worth-listening to, but I have transcribed the part about not having children here for you, ladies :)

- Jane GarveyYou have talked very openly in the past about not having children, which, I have to say, is a subject that I find difficult to raise with people. Particularly the women who appear on Woman's Hour. In fact, I shy away from addressing the issue unless the person has come on specifically to talk about it. And so it is important to emphasize that you wanted o introduce not having children into the conversation. I haven't used the term childless or, at least, I don't think I have because that is offensive isn't it?

- Kim Cattrall: Well, it is the "less" that is offensive, isn't it? Child-less, it sounds like you are less because you haven't had a child. I think that for a lot of people, for my generation, it wasn't actually a conscious choice. It was a feeling of I am on this road and things are going really well. And I am very happy. And I'll do it next year. I'll do it in two years. I'll do it in five years. And then suddenly you are in your early forties and you think maybe now? And you go to your doctor and she says to you, well, yes we can do it, but you'll have to become a bit of a science experiment here because we have to find out how you can stay pregnant. We can get you pregnant but you have to stay pregnant now because your body is not producing. So it was a feeling of: well, do I really want to do that now? And I just thought: I don't know if I want it that much. What also comes with having a child is: is this the partner that I want to spend the rest of my life communicating with in a very intimate, intimate way throughout the child's life. So, for me, timing-wise it was was never right.  I have been married and I enjoyed very much been married, my two marriages, but we never really got to the point where it seemed a natural progression in our relationship that we would become parents.

Jane Garvey: so you didn't become a parent and...

Kim Cattrall: not a biological parent. But I am a parent. I have young actors and actress that I mentor. I have nieces and nephews that I am very close to so I think the thing that I find questionable about being childless or child-free: are you really? I mean, there is a way to become a mother in this day and age that does't include your name on a child's birth certificate. You can express that maternal side of you very very clearly, very strongly. It feels very satisfying. (...). There are many different ways to be a mom in the world.

domingo, 12 de julho de 2015

Camille Claudel

Hoje descobri mais uma adimirável mulher que não teve filhos e deixou um legado atemporal, apesar da curta linha do tempo em que viveu - neste caso, quase sempre, em isolamento.

Seu nome é Camille Claudel uma escultora francesa que produziu um número gigantesco de obras de arte.



Paixão, beleza, força de vontade inesgotável e talento raro são termos que encontrei com frequência no pouco que li sobre ela até agora.

Mas encontrei um livro...



E dois filmes...





E pretendo mergulhar nos três para descobrir mais sobre a vida desta mulher que passou os últimos 30 anos de sua vida em um hospício, mesmo não sendo louca. Deprimida, sim. Louca, não. Mantê-la enjaulada foi decisão da família para proteger a carreira de seu irmão mais novo, o diplomata e poeta francês Paul Claudel. Se ainda hoje uma mulher com gênio indomável costuma ser vista como alguém que deve ser controlada, imaginemos então o que não foi viver 150 anos atrás. 

Ela sofreu, morreu, e por um certo tempo até chegou a ser esquecida. Mas nas últimas três décadas o interesse por sua arte e por sua vida tem aumentado e o número de obras que a homenageiam tem se multiplicado rapidamente na literatura, no cinema, na música e no teatro.

Encontre algo para ler, ver ou ouvir. E ajude a manter a chama da Camille acesa.


Nicole Rodrigues

sábado, 11 de julho de 2015

Violência obstétrica - a voz das brasileiras


Vídeodocumentário popular produzido por Bianca Zorzam, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Franzon, Kalu Brum, Armando Rapchan.

Produzido a partir de depoimentos reais de mulheres, gravados em suas próprias casas com webcam, celular e máquina fotográfica.

Uma bela iniciativa de conscientização sobre as tristes e violentas situações às quais as mães brasileiras (entre outras tantas nacionalidades) são submetidas durante o período de gravidez e parto. 

Nicole Rodrigues

sábado, 25 de abril de 2015

Sobre a banalidade da epistomia nos partos em maternidades brasileiras


Imaginar que alguém te cortaria sem anestesia para fazer mais espaço para o bebê que quer nascer, certamente pode ser descrito como um dos piores pesadelos. Mas, infelizmente, trata-se de um pesadelo pelo qual muitas mulheres que se preparam para ter um parto normal acabam passando, já que se tornou prática comum em maternidades brasileiras.

E isso não é de agora. Minha mãe descreveu algumas vezes o horror que foi me dar à luz em uma maternidade em São Paulo, lá no começo da década de 80, e como o médico esperou até a minha cabeça aparecer para dar início ao atendimento do parto, embora ela estivesse na maternidade esperando há horas, aos prantos, e como ele entrou, não disse uma palavra, a cortou e ela desmaiou de tanta dor. Depois, ela só lembra que acordou pelada, em uma maca de metal, sem colchão e que estava tremendo de frio.

Anos depois um moça que trabalhava como faxineira em nossa casa engravidou. No dia que a bolsa estourou a levamos para um hospital em Brasília. Dias depois, fui visitá-la e ela disse: me cortaram inteira: daqui (apontando pra vagina) até lá atrás. Tô cheia de pontos. Não sei pra quê isso. Eu tava dilatada. Ele enfiou a mão toda dentro de mim várias vezes para ver e eu tava dilatada… ela disse, confusa.

Eu tinha 14 anos, não tinha noção alguma de que um dia viria a saber que havia um termo para aquele corte e que ele era bem mais comum do que eu jamais pudesse imaginar nos trabalhos de parto.

A Isabela Liborio foi gentil o bastante para compartilhar comigo um link para uma matéria do Estadão sobre a violência obstétrica. Vale a pena ler tudo. Mas vou colocar uma parte aqui para vocês.

O nascimento de Pedro foi um pesadelo para a mãe dele, Milena Caramori, na época com 23 anos. A engenheira florestal chegou ao Hospital Sorocabana em Botucatu, interior de São Paulo, depois de uma madrugada em trabalho de parto. Teve as pernas amarradas e, por isso, não conseguia fazer força o suficiente para dar à luz. Para “ajudar” o bebê a nascer a enfermeira subiu na barriga de Milena espremendo o ventre dela com o peso de seu corpo (a manobra de Kristeller é sabidamente responsável por lesões sérias na mulher e, por isso, desaconselhada há décadas.) Mas o pesadelo não terminava por aí. Sem nenhuma anestesia, a médica fez uma episiotomia em Milena, ou seja, cortou o períneo, região entre a vagina e o ânus, para ampliar o canal de parto e também “ajudar” o bebê a nascer. “Eu gritava. Eu só conseguia gritar”, lembra. O parto foi assistido por diversos residentes e o marido de Milena foi deixado de fora “porque a sala estava lotada”. Pedro nasceu e um residente foi incumbido de fazer a sutura, ainda sem anestesia. Foram sete pontos, que tiveram de ser refeitos. “Ouvi a médica dizer que estava tudo errado, que era para refazer”, lembra.

Me parte o coração. Como se não bastasse a pressão social para que mulheres se tornem mães, independente do que desejam para si, as que decidem fazê-lo ainda acabam passando por esse tipo de humilhação e abuso extremo ao darem à luz. É um absurdo sem tamanho.

Conhecimento e compartilhamento de informações são antídotos poderosos neste cenário. Mulheres, mães ou não, unai-vos! Unai-vos para que nossos corpos e os de nossas irmãs, amigas, primas, vizinhas e conhecidas, sejam, de fato, nossos. E que o direito à escolha de ser mãe ou não, de como parir, de onde parir, de com quem parir, seja nossa. Somente nossa.

Fonte da matéria citada: o Estadão.


Totia Meirelles


A linda Totia Meirelles é mais uma atriz brasileira que não se tornou mãe e que, em função da idade, provavelmente não se tornará. Outro dia lembrei que, há muitos anos atrás, havia lido em uma revista uma entrevista na qual ela falava que havia escolhido não ter filhos. Lá fui eu pesquisar um pouco e acabei achando alguns depoimentos sobre a vida sem filhos dela.

"Foi uma opção. Tentei ter filho, comecei a fazer um tratamento, mas quando menstruei falei: ai, que bom! Então eu pensei que não quero ter filho. Decidi não ter. Parei tudo. Hoje sou feliz por essa decisão. Mas a pressão é grande -- algumas mulheres se sentem até fracassadas.Tiro o chapéu para as mães, mas me sinto aliviada por não ser uma delas”.

Por que não ter filhos?
Durante muito tempo eu quis ter filhos. Tentei até engravidar, mas não consegui. Com o tempo, tornou-se uma opção. Sinceramente, tive um grande alívio por isso.

Você se sente cobrada por não ser mãe?
Sou muito feliz assim. Acho que hoje é muito difícil educar uma pessoa, criar outro ser humano. Essa relação pode dar certo ou não. E imagina quando não dá certo? Tiro meu chapéu para as mães.

Na novela, você vive uma mãe com perfeição. Exercita seu lado maternal na vida real?
Claro! Acompanhei a educação dos meus sobrinhos e tenho uma relação maternal com eles. Todos os meus sete irmãos têm filhos. Agora, tenho até seis sobrinhos-netos.

E seu marido (com quem está há 18 anos), sente falta?
Não, ele tem uma filha. E temos um netinho agora -- estou babando muito!

Aída tem problemas com a filha. Como você vê isso?
Elas são muito parecidas, a Aída dá força para ela.

Sua mãe era assim?
Sim, eu tive uma educação rígida. Mas minha mãe me deu uma moto de presente, por exemplo! Ela me criou com limites e liberdade.

Fontes:

segunda-feira, 23 de março de 2015

Ser mãe é padecer no paraíso?

A reflexão do úlltimo post da Ligia Sena, autora do blog Cientista que virou mãe, sobre a maternidade consciente é tão profunda e tão pertinente, que vale a pena ler o texto todo. Todo mesmo. Mas a parte que mais me chamou a atenção e que destaco aqui no blog para vocês é a seguinte:
Embora grande parte da sociedade pense que ser mulher seja sinônimo de querer ser mãe, não é. Nunca foi. O que, sim, sempre existiu é uma atitude social determinista de querer incutir obrigatoriamente na mulher o sentimento de "dever de maternidade". E isso é bem fácil de ser constatado, nas perguntinhas constrangedoras de "E aí, quando vai dar um neto pros seus pais?", ou "Já faz tempo que você está casada, não vai encomendar um herdeiro?", ou então "Só pensa em estudar, estudar, estudar. Quando vai casar e ter filhos?", entre outros tantos exemplos de tentativas de controle social do "ser mulher".
Uma mulher deve ser absolutamente livre para escolher e decidir aquilo que quiser sobre sua própria vida. E isso não traz a ela nenhum tipo de desvalor ou menos valia. E também não deve subentender julgamento de quem faz escolhas diferente das suas. Ponto final.
Porém, a escolha pela maternidade - e ela se faz de diferentes maneiras, com planejamento prévio ou sem, com filho no ventre ou já crescido - também não subentende felicidade, completude, epifania, deslumbramento, romantismo e ausência de desafios. Muito pelo contrário. Todo mundo que assume a maternidade de maneira integral e completa sabe que mais frequentes são os momentos de dúvidas que de tranquilidade. E isso não diminui o fato de ser mãe. A não ser que você tenha a ilusória ideia de ser mãe como sinônimo de felicidade. Não são sinônimos e nunca serão. O que, sim, pode acontecer, e de fato acontece com muitas de nós, é tornarmos a experiência da maternidade algo positivo, enriquecedor, onde criar uma criança também nos ajude a nos criarmos e nos desenvolvermos como seres humanos melhores. Não existem paraísos ou padecimentos obrigatórios.
E é justamente por compreendermos a maternidade como uma experiência sobretudo humana, na mais ampla acepção do termo, que precisamos tanto acolher suas manifestações amorosas quanto suas manifestações de angústia. É difícil ser mãe. É difícil tornar-se mãe. É difícil passar por transformações que vão muito além de uma barriga que cresce e peitos que produzem leite. É difícil nos ressignificarmos no mundo. É muito difícil. Não é à toa que tantas e tantas mulheres passam por maus bocados logo após o nascimento de seus filhos, em períodos que podem variar de um leve baby blues a uma depressão profunda.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Aracy Balabanian


Faltaram tempo e parceiro ideal para a atriz Aracy Balabanian

Solteira, depois de "cerca de três casamentos" não oficiais, a atriz Aracy Balabanian, 62, diz que não se arrepende de não ter sido mãe. "Pesei muito a decisão e fui honesta comigo mesma. Não casei nem tive filho porque não acho que temos que cumprir tarefas sociais. Muitos fazem só por obrigação."

Aracy diz ter ficado, em média, cinco anos com cada um de seus maridos, cujos nomes não revela. Mais de uma vez sentiu vontade de construir uma família, mas guardou as energias para investir na carreira e lutar contra o pai, que por dez anos foi radicalmente contra sua profissão.

Não bastasse o pai, havia o namorado, um ator incipiente com quem estudava. "Ele jamais aceitaria que eu pudesse ter mais sucesso na carreira do que ele", diz. Ao desistir da escola de teatro, o namorado queria que ela também abandonasse tudo. "Eu não me contentaria em ser 'só' mãe, como ele queria."

A atriz garante que o pai era um homem inteligente, "mais que meus namorados", e achava que a profissão de atriz era muito bonita, mas sofria um grande preconceito.

Aracy diz que sonhou ser mãe, mas não encontrou um parceiro ideal. "Acho pai muito importante e não faria uma produção independente", afirma. "Se meus namorados não eram bons o suficiente nem para mim, tanto que os deixei, menos ainda para ser pai."

Outra questão que pesou na decisão era a falta de tempo. "Cheguei a trabalhar dez anos praticamente sem folgas. Não poderia fazer isso se tivesse um filho."

Mas afirma que sua platéia inicial, prioritariamente de crianças e idosos que se divertiam com "Vila Sésamo", sempre preencheu seu lado maternal. Além dos sobrinhos, claro. "Fui tia aos sete anos. Tenho 13 sobrinhos e 14 sobrinhos-netos." Ela conta que chegou a ampliar a casa para receber os tantos que resolveram estudar no Rio de Janeiro. "Criei uma sobrinha e agora estou aguardando seu filho, que vem estudar aqui este ano."

Pessimista quanto aos destinos da humanidade, a atriz diz que não gostaria de "deixar" um filho no mundo "como está hoje". "Muita droga, muita violência e a total falta de valores", diz. "Iria ficar louca de preocupação."

Fonte: Folha online

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